Entre o discurso e a prática, uma grande distância

O pré-candidato ao governo pelo PV, Lucélio Cartaxo, emitiu este final de semana uma carta ao povo da Paraíba, da sua coligação, onde fala em novos tempos na política paraibana. A carta diz, entre outras coisas, que “Esta visão de futuro, com um horizonte de realizações transformadoras, nasce do sentimento de confiança, compartilhado por muitos paraibanos e paraibanas, de que a união com respeito, a conjunção de boas ideias, a soma de experiências exitosas e a capacidade de trabalho podem produzir uma Paraíba melhor para cada paraibano e, sobretudo, para o conjunto da sociedade”.

Até aí, tudo bem. O que mais se precisa na política brasileira é de uma nova maneira de encarar a coisa pública. Também precisamos de novas posturas políticas, contra a corrupção e sem estímulos a oligarquias, por exemplo. O problema é que a carta foi publicada simultaneamente com o anúncio do nome da esposa do prefeito de Campina Grande, Micheline Rodrigues, como pré-candidata a vice na chapa de Lucélio.

A chapa do Partido Verde-PSDB, lembra aquele poema de Carlos Drummond de Andrade, em que dizia, em tom de brincadeira:

“João amava Teresa que amava Raimundo

que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili

que não amava ninguém.

João foi pra os Estados Unidos, Teresa para o convento,

Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,

Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes

que não tinha entrado na história”.

 

No caso da chapa de oposição seria algo mais ou menos assim: “Lucélio, que amava Luciano, que amava Romero, que amava Micheline…”

Ou seja: não dá para acreditar na postura de novos tempos na política quando se recorre a práticas antigas na formação de uma chapa majoritária. De um lado, o irmão de um prefeito; de outro, a esposa de outro prefeito. Entre os aliados de Lucélio não havia ninguém capacitado que não fosse ligado familiarmente a Romero Rodrigues? Às vezes os políticos parecem duvidar da capacidade do povo de perceber o quanto discurso e prática deles andam longe. No poema de Drummond, J. Pinto Fernandes, que nem tinha entrado na história, é quem se casa com Lili. Nas eleições da Paraíba, será que vai aparecer alguém que ainda não entrou na história para ganhar?

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