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Lígia Calado lança livro que narra saga de personagem emblemático de Rosa

Diadorim é uma das personagens mais fascinantes e misteriosas da literatura brasileira. Companheiro de lutas de Riobaldo em “Grande Sertão: Veredas”, personifica o bem e o mal, o feminino e o masculino, a certeza e a dúvida. Essa personagem emblemática é dissecada para o leitor pela professora da Universidade Federal de Campina Grande, Lígia Calado, na obra “Ave Diadorim – imagética da mulher em Grande Sertão:Veredas”, que será lançada nesta quinta-feira (14), às 17 horas, na Livraria Universitária, no centro de Cajazeiras. O livro tem selo da editora Appris, do Paraná.

O livro, segundo Lígia Calado, é um ensaio crítico, resultado de discussões realizadas em debate com a temática rosiana, na coordenação de pesquisa e outros projetos que ele vem desenvolvendo junto ao Grupo Avançado de Estudos em Literatura, na UFCG. “A obra-prima do escritor é revisitada com intenção de leitura, análise e perspectiva crítica de estudo, não apenas para cumprir protocolos acadêmicos, mas como caminho de festa e celebração de uma escrita que merece ser lembrada, pois que reivindica para si visibilidade e interesse permanentes”, comenta.

O livro é dividido em quatro capítulos. No primeiro, Lígia Calado fala do “Sertão das mulheres encobertas”. Nos seguintes, analisa sobre “Sexo: as poesias do corpo, malandragem”, “Diadorim: a donzela guerreira”, “Dindurinh, A Ave Palavra” e “Voa Diadorim”.

“Na relação com a poesia épica, a Diadorim donzela-guerreira é vista reunindo em torno dela as contradições de uma representação, a gravitar entre a insurgência e o modelo de repetição”, explica Calado, acrescentando: “Quando vista em perspectiva mais amorosa, Diadorim é andorinha pelo sertão. É canto, é poesia, é ave em arribação”.

Para o professor Marcílio Garcia de Queiroga, a autora faz, com muita precisão, um levantamento significativo de temas e aspectos do romance de Rosa e nos apresenta uma via peculiar e provocativa de entrada na obra, “presente digno de celebração de 60 anos de Grande Sertão: Veredas”.

Segundo ele, a obra de Lígia Calado revela com maestria os meandros do “Grande Sertão:Veredas”, ao pousar a sua análise sobre a personagem Diadorim, vista sob as óticas do simbólico e do poético, aliadas à imagética das aves. “O livro vai revelando uma Diadorim que somente será desnudada quando da chegada ao itinerário final. No entanto, o leitor perceberá que as vias de acesso aos muitos códigos cifrados de Diadorim, nos vão sendo dadas desde o início do texto, de forma que é possível descobrir Diadorim, também, nesse retorno”, comenta.

“Grande Sertão: Veredas” é um livro de João Guimarães Rosa escrito em 1956. Pensado inicialmente como uma das novelas do livro Corpo de Baile, lançado nesse mesmo ano de 1956, cresceu, ganhou autonomia e tornou-se um dos mais importantes livros da literatura brasileira e da literatura lusófona. No mesmo ano, Rosa também lançou a quarta edição revista de Sagarana. Em 2006 o Museu da Língua Portuguesa realizou uma exposição sobre a obra no Salão de Exposições Temporárias. Em maio de 2002, o Clube do Livro da Noruega, entidade que congrega editores noruegueses, incluiu Grande Sertão: Veredas em sua lista dos cem melhores livros de todos os tempos – único brasileiro entre 100 escritores de 54 países. A história gira em torno do jagunço Riobaldo, narrador-protagonista do livro. Diadorim é um também jagunço com quem Riobaldo estabelece uma relação diferenciada, que se coloca nos limites entre a amizade e o relacionamento afetivo de um casal. A obra de Lígia Calado é uma grande oportunidade para adentrar nesse mundo misterioso de Rosa.

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