Escudo das Américas – Por Alexandre Costa
O anúncio pelo presidente Trump do programa Escudo das Américas, que deixou o Brasil de fora, provocou pânico na diplomacia brasileira com a possibilidade do enquadramento, unilateral, como narcoterroristas das duas maiores organizações criminosas do país, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).
Concebido com o propósito de formar uma grande coalizão militar regional para combater facções criminosas transnacionais com ações no continente americano, com uma mega e contínua ação militar que vai desde treinamento, operações militares conjuntas, a inteligência compartilhada de alto nível entre as forças armadas dos países signatários deste acordo.
Hoje, o Escudo das Américas conta com 17 membros da América Latina, já com participação efetiva da Argentina, Equador, Paraguai e El Salvador, ficando de fora México, Colômbia, Nicarágua, Cuba e Brasil.
Neste cenário, acredito que a “química” entre Trump e Lula não rolou desta vez e ele simplesmente não foi convidado a integrar esta coalizão. Nosso presidente, pelo seu histórico de posicionamentos, não tem o mínimo alinhamento político ideológico com os EUA nem muito menos tem qualquer interesse de unir forças para combater narcotraficantes.
Ano passado isso ficou patente com a desastrada declaração [acredito pela sua senilidade] de que “os traficantes é que são vítimas dos usuários de drogas”, além de atuar para barrar, e barrou, no Congresso a classificação de narcotraficantes como terroristas.
O temor do diplomata Mauro Vieira em ligar desesperado para a Casa Branca a buscar informações vem das declarações do secretário de Guerra, Pete Hegseth, que lançou meses antes da formalização deste acordo uma espécie de ultimato aos países do continente americano: “Washington está preparado para lançar uma ofensiva unilateral contra organizações criminosas na América Latina, embora a preferência seja atuar junto com vizinhos e aliados”.
A preocupação do chanceler Viera procede, principalmente para quem viu pelas redes sociais os brutais ataques das forças americanas a barcos de narcotraficantes na costa venezuelana nos meses que precederam a captura de Maduro. Mais uma vez o ranço ideológico do atual governo brasileiro com os EUA faz o país perder uma oportunidade de um maciço enfrentamento conjunto para extirpar de vez o crime organizado que hoje domina e subjuga grande parte do país.
Meu caro e dileto leitor(a), deve estar a se perguntar: e a soberania nacional, como fica? Eu respondo: que soberania? Simplesmente o governo brasileiro não assume que perdeu a guerra contra o crime organizado nas grandes cidades, inclusive na região amazônica. Quanta hipocrisia!
Segundo pesquisa do Data Folha, são mais 28,5 milhões de brasileiros que vivem sob o total domínio de milícias e fações que agora criam e exploram territórios delimitados por barricadas, extorquindo comerciantes com a cobrança imposta de “pedágios” na venda por preços abusivos de gás, cigarros, bebidas, sinal de internet e proteção armada.
A Amazônia se transformou em um poderoso hub logístico do crime organizado, pela total ausência do Estado, controlando totalmente a Amazônia Legal, chegando a ser o maior empregador da região, superando as prefeituras. É a consolidação do estado paralelo no Brasil, em que fica claramente explicitada a sua força e domínio, subjugando o Estado e humilhando a sociedade.
É óbvio que a soberania nacional é inquestionável, mas não impede a celebração de um grande acordo de cooperação específico para combater o narcotráfico, custeado totalmente pelo programa com financiamento de armas e equipamentos militares, treinamento conjunto de tropas, além de parceria em ações de inteligência com a CIA e o FBI.
Preservada a nossa soberania, estamos diante de uma oportunidade única de resgatarmos o Brasil dos tentáculos do crime organizado e da nossa capenga segurança pública, apontada em todas as pesquisas como uma das maiores preocupações dos brasileiros. O governo federal ainda não tem esta percepção e vai pagar um alto preço por estes desmandos quando a solução vier na cédula eleitoral.
