Cajazeiras acordou – Por Alexandre Costa

Dois importantes eventos nas duas primeiras semanas deste mês de fevereiro atingiram em cheio os brios dos cajazeirenses num intervalo de menos de quinze dias. O primeiro foi o anúncio, logo na primeira semana deste mês, feito pelo presidente da Câmara Federal, Hugo Motta, da aprovação do PL 5774/2025, que cria o Instituto Federal do Sertão (IFS) com sede na cidade de Patos. Um forte baque que a cidade de Padre Rolim ainda não teve tempo de digerir. Na semana seguinte, foi alvo de um novo e mortal petardo: a criação da Universidade Federal do Sertão (UFS). Mais uma articulação do poderoso deputado patoense que nascia com uma incômoda e forte suspeita de também instalar a sua reitoria em Patos.

Sendo perpetrada esta segunda investida do deputado Motta, Cajazeiras estará diante de um dos seus maiores desafios. Isso pode levar a cidade a perder o protagonismo de seu principal motor econômico e deletar uma tradição secular que é uma marca registrada da sua história: a educação.

Louve-se a iniciativa e a determinação de Motta em destravar no Congresso estas propostas de desmembramento destas duas instituições que se arrastavam por mais de uma década. O IFS, para sua concretização, aguarda apenas uma votação no Senado e a sanção presidencial, etapas consideradas já vencidas, que tornam a sua criação praticamente irreversível.

O temor se abateu sobre Cajazeiras quando este mesmo deputado anunciou na imprensa da capital o início das articulações para a criação da UFS, fruto de um desmembramento da UFCG. Esta nova universidade viria com o mesmo desenho do Instituto Federal do Sertão, com a sede da reitoria e reitor, tudo centralizado em Patos? 

Esse evento foi a gota d’água que tirou a sociedade civil organizada da cidade do estado de desesperança e letargia, resultado da quase eterna orfandade política na Câmara Alta do País, onde a população paga um alto preço por não saber votar e ainda insiste em “brincar” de votar para deputado federal.

Não se avança mirando o retrovisor. As exitosas conquistas como o curso de medicina, aeroporto, linhas aéreas e IML/NUMOL já fazem parte do passado, mas nos deixaram um legado de cobrança, persistência e luta. É esse legado que reacendeu na sociedade civil organizada, nas lideranças políticas e empresariais, um grande movimento para exigir que as decisões de instalar a sede das reitorias e nomear os respectivos reitores sejam baseadas em critérios estritamente técnicos, e não em conveniências políticas.

 A largada deste movimento foi dada nesta quarta-feira (11). O comitê executivo desta mobilização, em parceria com o Sistema de Comunicação Rádio e Jornal Gazeta do Alto Piranhas, promoveu um longo e prestigiado debate. Este contou com a participação e o apoio declarado da prefeita Socorro Delfino, dos três deputados da cidade, lideranças empresariais, entidades de classes, vereadores e populares.       

 O lançamento deste movimento, de caráter totalmente apartidário, na semana do início do carnaval, foi uma decisão estratégica do comitê. O objetivo era que o tema seja pautado pela imprensa durante todo o evento momesco, cobrando apoio de lideranças políticas, especialmente as que foram votadas em Cajazeiras. Para tornar esta mobilização de alcance estadual, o deputado Júnior Araujo protocolou um requerimento na Assembleia Legislativa para a realização de uma Sessão Especial para tratar das instalações das sedes das reitorias destas duas instituições.

A ideia é transformar este comitê permanente, de caráter apartidário e colaborativo, agrupando a sociedade civil organizada, instituições, profissionais liberais, entidades de classe, estudantes, líderes políticos e empresariais, objetivando fomentar a ciência, a inovação e a tecnologia como pilares do desenvolvimento sustentável do município. Cajazeiras acordou!

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