O fosso da desconfiança – Por Alexandre Costa

A crescente erosão de confiança no Judiciário, sentida nitidamente nas ruas por vários e amplos estratos sociais da população brasileira, finalmente foi escancarada num avassalador resultado de uma recente pesquisa que aponta que 60% dos brasileiros não confiam nos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Encomendada pelo Jornal Estado de São Paulo, a pesquisa da Atlas/Intel também aferiu o declínio da confiança média no STF, considerando a série histórica desde janeiro de 2023, que oscilava em torno de 45%; ao comparar com os atuais 34% que afirmaram confiar, revela um índice perturbador de uma queda de confiança de 11% em pouco mais de dois anos.

Dos 10 ministros da Corte, Dias Toffoli desponta na frente com 81% de imagem negativa, contrastando com o menor índice de apenas 36% de André Mendonça. Esta pesquisa mostra também que, entre as instituições, a Polícia Federal desponta como a instituição com a melhor avaliação, contrapondo-se ao Congresso Nacional, que detém a pior imagem.

Merece registro nesta pesquisa um índice revelador que pode ser um diferencial no desfecho desta crise institucional que o país atravessa. 97,6% dos brasileiros afirmaram que conhecem em maior ou menor grau o escândalo do Banco Master, no qual estão envolvidos alguns ministros da Suprema Corte, que apontam ligações perigosas das mais altas autoridades da República com a maior fraude do sistema financeiro brasileiro.

As suspeitas são fortíssimas, e até agora não temos explicações convincentes. Pelo contrário, após a confirmação da delação premiada de Vorcaro, instalou-se dentro daquela corte um inexpugnável sistema de blindagem corporativa, por meio de uma série de decisões judiciais que têm barrado o avanço das investigações sobre Suas Excelências.

Isso ficou patente quando o ministro Gilmar Mendes anulou, na quinta-feira (15), a quebra do sigilo bancário do fundo Arleen, determinada pela CPI do Crime Organizado, beneficiando diretamente o ministro Dias Toffoli, que vem sendo apontado como envolvido no rumoroso caso do Resort Tayayá.

Em fevereiro passado, Mendes também suspendeu a quebra dos sigilos fiscal, bancário e telemático da empresa Maridt, que tem Toffoli entre seus sócios e tem operações com este mesmo fundo Arleen controlado pela mafiosa teia vorcariana.   

Estas decisões de Mendes não são só para tentar blindar seu parça. Ela é gravíssima, pois atenta contra o poder constitucional do Congresso, que é de investigar, e suscita aquele temor constante no íntimo de todo brasileiro: a quem recorrer quando os guardiões das nossas leis se fecham num processo de auto blindagem corporativa para acobertarem ilícitos praticados por eles mesmos? O fato é que o esgarçamento das nossas instituições coloca em xeque a própria democracia brasileira e este temor vem explícito nesta pesquisa da Atlas/Intel. O brasileiro já perdeu a confiança e a paciência com a nossa Corte Maior, que a cada dia aprofunda o fosso da desconfiança da sociedade com quem devia nos proteger.

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