O recado do Senado – Por Alexandre Costa

A derrota do governo Lula durante uma sessão histórica no Senado Federal barrou a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, o famoso “Bessias”, para ocupar a vaga deixada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Roberto Barroso. Isso deixou o Brasil perplexo na noite desta quarta-feira (29).

O fato é que Lula entra para a história, em 132 anos, como o segundo presidente da República, depois de Floriano Peixoto, a ter uma indicação para o STF rejeitada pelo Senado. As causas da derrocada são muitas; entre elas, foi a falta de consenso do governo com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, que defendia abertamente a indicação do nome do seu antecessor, Rodrigo Pacheco. Uma conta salgada que o governo vai jogar no colo do senador amapaense.

O placar de votação foi cruel: 34 votos a favor do Messias e 42 votos contra.   Atônitos, líderes do governo se perguntavam: onde erramos? O Messias não era um nome adequado? Faltou articulação política ou R$ 12 bilhões de emendas distribuídas na véspera foram pouco?

Pesou contra o indicado de Lula o seu passado de vassalagem aos governos do PT desde os tempos da ex-presidente Dilma Rousseff. Além disso, seus posicionamentos como AGU em pautas contra costumes conservadores e de ser aliado e cúmplice de primeira hora do ministro Alexandre de Moraes no abjeto inquérito das fake news nas falsas narrativas de golpe de estado jogou um bando de baderneiros na cadeia com penas altíssimas.

Entendo que a atuação do Messias na AGU para criar e implantar no Brasil o chamado “Ministério da Verdade” tupiniquim, inspirado no livro 1984 do escritor britânico George Orwell, foi o que realmente o sepultou. Esse ministério, adaptado aos novos tempos, seria responsável por censurar as redes sociais.

Na verdade, o grande perdedor neste episódio não foi o Messias, e sim o Governo Lula 3, que sucumbiu à decisão do Senado em não mais aceitar o aparelhamento do STF com os companheiros do PT.

 O governo fez uma avaliação equivocada, errando feio na estratégia de insistir em não se compor com Alcolumbre, e pagou um preço alto. Apesar da distribuição de cargos e emendas a parlamentares, o governo foi humilhado na votação do Senado. Isso revelou ao país a imagem de um Executivo moribundo, fraco e sem liderança, que redundará num enorme e nefasto passivo político que certamente será explorado pela direita como uma narrativa destrutiva nas próximas eleições de outubro.

Será que finalmente estamos diante de um ponto de inflexão nas conturbadas relações entre Congresso, Governo e o STF?   Acredito que sim, considerando que esta votação no Senado abre caminho para impeachment de ministros da Suprema Corte, algo impensável até os dias de hoje. O Senado deu seu recado.

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