Carros elétricos: um avanço ou uma grande roubada? (2) – Por Alexandre Costa
Assediado por propostas tentadoras de trocar meu carro a combustão de tecnologia japonesa por um veículo eletrificado chinês, confesso que me senti balançado pelas investidas de vendedores. Isso levou a uma pergunta aos meus botões: teria chegado a hora de finalmente embarcar num bólido chinês?
Me foi apresentado para um test drive um SUV de médio porte, da mesma categoria do meu atual veículo, com uma reluzente e chamativa pintura na cor grafite fosco que me convidava para seu interior. Ao sentar e empunhar o volante, impressionou-me o nível de tecnologia embarcada ao contemplar o painel, indicadores, câmeras, multimídia, bancos e revestimentos, tudo com acabamento de esmero refinado.
Tratava-se de um possante veículo híbrido, com motor elétrico e a combustão, uma joia rara de última geração da indústria automobilística chinesa, que apresentava uma vantajosa oferta de preço, permitindo-me comprar um veículo novo de categoria similar ao meu e, além disso, levar um outro veículo menor.
A razão e a intuição falaram mais alto. Desci da “máquina” e gentilmente declinei da oferta do test drive com a promessa de retornar depois de analisar detidamente a intrigante proposta. Aquele carro, comparado com o meu, me fez tomar um choque de realidade: me senti o Fred ao volante do carro dos Flintstones.
Estava diante de um dilema: embarcar numa avançada e convidativa tecnologia inovadora de um BYD, a maior montadora de veículos eletrificados do mundo, que só no Brasil em 2025 vendeu mais de 110 mil carros, abocanhando quase 50% do mercado de veículos eletrificados do Brasil, ou continuar com a estacionada tecnologia nipônica de um automóvel eficiente, seguro, resistente e de garantido valor de revenda?
Precisei me debruçar sobre os números do mercado automobilístico nacional e mundial para resolver meu dilema, esmiuçando dados que poderiam revelar o que realmente estaria por trás desta invasão chinesa de carros eletrificados no Brasil, e cheguei a uma conclusão. O Brasil não é alvo único destas “invasões”; países asiáticos e europeus já foram alvos destes ataques que praticam preços abaixo do custo de produção, destruindo a indústria nacional. Ela já fez isso com sucesso, dominando a produção de placas solares, aço e a indústria têxtil. A receita é a mesma: derruba preços, quebra a concorrência, monopoliza o mercado e passa a praticar preços extorsivos.
Não se trata de competição, e sim de dominação. A BYD não é uma fábrica, é uma arma do governo chinês de dominação de mercado de carros eletrificados no mundo. Com uma planta instalada na Bahia, a BYD é líder isolada entre as 15 montadoras chinesas que atuam no país e são responsáveis pela invasão de carros eletrificados no Brasil, o sexto mercado automotivo do mundo.
Mesmo recebendo fortes incentivos governamentais do seu país de origem, como mercado cativo para fornecimento de ônibus, táxis, terrenos para implantação de suas indústrias e crédito fortemente subsidiado, a BYD opera no vermelho, maquiando balanços superavitários por uma razão evidente: seus baixíssimos preços não cobrem os custos de fabricação.
Isso me cheira a mais uma grande bolha prestes a estourar no colo dos incautos consumidores brasileiros, uma constatação que me levou a adiar a compra do meu carro elétrico chinês.
