O Complexo Científico do Sertão é ciência pura na veia – Por Alexandre Costa

O exitoso Simpósio Internacional do Pacto de Inovação no Sertão (PIS), ocorrido na última semana de julho na cidade de Sousa, chamou a atenção da comunidade cientifica e atores do ecossistema de desenvolvimento regional sertanejo. Ao longo de três dias, representantes da academia, governo, setor produtivo e sociedade civil – as quatro hélices motrizes que impulsionam o Complexo Cientifico do Sertão (CCS) – discutiram e aprovaram estratégias que culminou na assinatura histórica do Pacto de Inovação no Sertão.

Tudo começou no início deste ano, quando governo do estado decidiu criar uma rota cientifica-turística em pleno Sertão paraibano organizando uma Missão Técnica Internacional em Barcelona, na Espanha, para prospectar investimentos, buscar parcerias com o Complexo Científico do Sertão para estabelecer o Pacto de Inovação no Sertão.

Foi uma programação extensa ao longo de cinco dias com intensas reuniões com autoridades catalãs, visitas ao distrito22@Barcelona, empresas, universidades, observatório astronômico, museus de paleontologia e arqueologia, centros avançados de computação quântica, uma profunda imersão no Ecossistema de Inovação da capital catalã. Uma missão técnica histórica com presença do governador João Azevedo e de seu staff técnico, da qual tive a honra de participar como secretário de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Tecnologia de Cajazeiras, representando a prefeita Socorro Delfino.

Criar, em pleno coração do Sertão da Paraíba, a primeira rota do Brasil que une, em torno de quatro cidades, vultosos investimentos tecnológicos de ponta nas áreas de astronomia, paleontologia e arqueologia, não é algo usual, é sim uma quebra de paradigma. Juntas, as cidades de Aguiar, Carrapateira, Sousa e Cajazeiras, a quase quinhentos quilômetros da capital, vão receber investimentos científicos em áreas específicas distintas na ordem de R$ 200 milhões.

Aguiar recebe o Radio Telescópio Bingo, o quarto deste modelo no mundo, fruto de um projeto de cooperação internacional que reúne vários países para estudar a energia e a matéria escura do universo.

A poucos quilômetros dali, em Carrapateira, surge a surpreendente Cidade da Astronomia com um majestoso Planetário que recria o céu desde o Big Bang até a formação da Terra, tudo isso reunido em uma grande estrutura que abriga espaços para exposições, praça de alimentação e auditórios.

Em Sousa, o já existente monumento natural Vale dos Dinossauros é conhecido mundialmente como um dos sítios paleontológicos mais importantes do mundo por apresentar uma característica raríssima, pegadas fossilizadas ao lado de inscrições rupestres. O Vale dos Dinossauros vai ser totalmente requalificado, ganhará um novo museu com ampliação da área de estudos.

Fechando esta rota imersiva que envolve tempo e conhecimento, chega a Cajazeiras o Museu de Arqueologia da Paraíba que vai resgatar, catalogar e reunir em um só lugar todos os achados durante as escavações das obras da transposição do Rio São Francisco. A proposta deste equipamento científico é mostrar a trajetória histórica da ocupação humana em nosso estado e no Nordeste.

Embora o projeto Complexo Científico do Sertão já seja uma realidade, com partes destes equipamentos sendo construídos e outras em fase de licitação, eis que surge o grande desafio de consolidá-lo utilizando uma estratégia que agrega conhecimento científico com turismo, a chamada economia do conhecimento.

Entendo a implantação do CCS não só como um fato revolucionário de redirecionar investimentos para o Sertão visando combater os desníveis socioeconômicos dentro do próprio estado, mas também introduzir o viés turístico neste programa como forma de geração de novas oportunidades de emprego e geração de renda que impulsionam o desenvolvimento econômico sustentável. O CCS não é apenas um projeto ambicioso e inovador. É ciência pura na veia.

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