Devo, não nego. Pago quando puder! – Por Alexandre Costa
Nunca uma máxima popular se encaixou na realidade econômica brasileira para sintetizar o atoleiro de endividamento das famílias brasileiras. Dados de uma pesquisa da Confederação Nacional do Comércio (CNC) do último mês de março apontam que 80,4% das famílias se encontram endividadas. Entre estas, mais de 30% têm a renda familiar comprometida para pagar prestações e débitos, 12% não têm a mínima condição de quitar a dívida e quase a metade tem obrigações vencidas há mais de 90 dias.
Quando questionado sobre as causas desses números alarmantes, o presidente Lula afirmou que os principais culpados são os gastos excessivos das famílias com cachorros e com apostas em jogos eletrônicos. Deixando de lado as despesas com os pets de Lula, o argumento da jogatina desenfreada nas casas de apostas procede.
Segundo números divulgados recentemente pelo Instituto Brasileiro de Ensino e Desenvolvimento e Pesquisa (IBEVAR) e pela Business School (FIA), instituições vinculadas à Universidade de São Paulo (USP), quase 40 milhões de brasileiros são viciados em jogos de azar eletrônicos, o que configura a principal causa para o descontrole financeiro das famílias brasileiras. Algo em torno de 30% destes jogadores gastam mais de R$ 1 mil por mês nestas plataformas eletrônicas, explodindo o comprometimento da renda familiar em mais de 29%.
Estamos diante de uma silenciosa crise social gravíssima de desdobramentos imprevisíveis, estampada em outra pesquisa do SERASA, que revela dados estarrecedores, apontando que, em fevereiro de 2026, 81,7 milhões de CPFs se encontram negativados.
O problema é estrutural; é evidente que as bets são apenas um dos fatores que geraram esta anomalia financeira. Temos outras variáveis macroeconômicas que contribuíram e contribuem para esta tragédia brasileira: a alta taxa de juros e o descontrole total das contas públicas.
Ao culpar os endividados por suas dívidas, o presidente Lula, mais uma vez, transfere seus problemas para os outros, esquecendo que o principal causador de tudo isso é ele, que, desde o primeiro dia de seu governo, instaurou o “Império da Gastança” sem tomar nenhuma medida para estabilizar as contas públicas.
Não precisa ser economista ou especialista em finanças públicas para perceber que as altíssimas taxas de juros praticadas no Brasil vêm dos papéis emitidos pelo governo para tomar dinheiro emprestado, pagando taxas acima do mercado, para cobrir o rombo das contas públicas. O presidente joga para a torcida, emitindo sinais trocados, culpando os presidentes do Banco Central, inclusive o atual, indicado por ele, pelas nossas pornográficas taxas de juros.
Em pleno ano eleitoral e em queda livre nas pesquisas, Lula tenta mitigar os danos com medidas paliativas, como utilizar o FGTS, que já é do trabalhador, para pagar a própria dívida. Um engodo sem tamanho que terá um preço que resultará numa conta salgada a ser paga nas urnas eleitorais em outubro.
