Inteligência Artificial 2027 – Por Alexandre Costa
Um apocalíptico relatório denominado “AI 2027”, elaborado por um prestigiado grupo de cientistas do Vale do Silício, liderado por Daniel Kokotajlo, um ex-colaborador da OpenAI, produziu um alerta na comunidade científica mundial sobre o total descontrole da tecnologia, para um futuro breve, que pode ser uma ameaça à existência da humanidade.
O perturbador estudo de abril de 2025 disseca os riscos e a evolução da Inteligência Artificial (IA) até níveis próximos ou superiores à capacidade humana em pesquisa científica, programação e tomada de decisão estratégica. A Inteligência Artificial não é um programa de computador, e sim algoritmos matemáticos que buscam “imitar” o funcionamento do cérebro humano e, o mais espantoso, com a capacidade de aprender sozinha.
Hoje, dividida em três estágios, a Inteligência Artificial avança exponencialmente: primeiro, já temos em pleno uso a Inteligência Artificial Estreita (ANI), conhecida também por IA “fraca”, caracterizada por executar uma só tarefa específica, como soldagem, jogos de xadrez, diagnósticos médicos, carros autônomos, e nos smartphones em aplicativos de músicas, vídeos e GPS, porém não pode tomar decisões por conta própria. Já o segundo estágio, a Inteligência Artificial Geral (AGI), ainda não existente, consiste numa máquina que consegue desenvolver as capacidades cognitivas semelhantes às de um ser humano, que “raciocina”, executando todas as tarefas intelectuais inerentes a uma pessoa. O terceiro e o último estágio são a hipotética e assombrosa Superinteligência Artificial (ASI), que torna os humanos totalmente descartáveis. Pois, criada uma inteligência infinitamente superior à humana, não teríamos uma segunda chance para corrigir a perda de autonomia, que poderia levar à extinção da raça humana na face da terra.
O avanço descontrolado desta tecnologia já assusta os maiores especialistas do mundo que atuam na área, como o professor e escritor Yuval Noah Harari, autor do livro (Sapiens e Homo Deus), Steve Wozniac (cofundador da Apple) e Elon Musk (CEO da SpaceX e Tesla). Eles se manifestaram em 2023 numa carta aberta pedindo uma pausa nas pesquisas com sistemas de IA. Uma preocupação pertinente com os “grandes riscos para a sociedade e a humanidade frente à corrida descontrolada dos laboratórios para desenvolver e implantar mentes digitais cada vez mais poderosas que ninguém, nem mesmo seus criadores, pode entender, prever ou controlar de forma confiável”.
Não vejo motivo para tamanha paranoia; na verdade, a IA, apesar de poderosíssima, é uma ferramenta e, como ferramenta, deve ser tratada. Um bisturi nas mãos de um médico salva vidas; nas de um assassino, tira. Cabe à sociedade o apropriado ou mau uso dessa tecnologia, pois, dessa opção, depende o futuro da raça humana na Terra.
