O Brasil patina – Por Alexandre Costa
Escrevi, em outubro de 2024, neste espaço, um texto denominado “Dançando à Beira do Abismo”, no qual abordava e alertava sobre a postura temerária do governo federal na condução da política econômica brasileira e suas nefastas consequências:
“Lula insiste em dançar à beira do abismo, pagando um altíssimo preço por ter virado as costas para a implantação da reforma administrativa, ao combate aos supersalários, à manutenção de reajustes do salário mínimo acima da inflação — o que pressiona as contas da Previdência Social — e à eliminação das fraudes nas políticas públicas, que redundaram em um rombo fiscal. Se não for contido, esse desequilíbrio pode inviabilizar seu governo. O mercado não perdoa. Desarranjos nas contas públicas no Brasil não terminam bem; custaram a cabeça de Dilma Rousseff e podem encerrar a carreira política de Lula”.
Não deu outra: parte dessa conta chegou.
O Ranking Mundial de Competitividade 2026, estudo do IMD World Competitiveness Center (WCC), em parceria com a Fundação Dom Cabral, divulgado em 18 de junho, mostrou claramente essa realidade. Trata-se de uma métrica que avalia o conjunto de condições institucionais, econômicas e estruturais que influenciam a produtividade e a eficiência do setor produtivo dos países analisados.
Reunindo 70 nações, o ranking mensura o desempenho econômico, a eficiência governamental, a eficiência empresarial e a infraestrutura de cada país.
No topo da lista encontram-se os cinco países mais competitivos do mundo: Singapura, Hong Kong, Suíça, Taiwan e Emirados Árabes Unidos. Essas nações incorporaram a competitividade como um dos principais ativos para transformar crescimento econômico em desenvolvimento humano e bem-estar social.
Em 2026, o Brasil despencou sete posições em relação ao estudo anterior, passando a ocupar a 65ª colocação — seu pior desempenho dos últimos anos. Ficou na parte inferior do ranking, à frente apenas de países como Botsuana, Mongólia, Nigéria, Namíbia e Venezuela.
Quando a avaliação é feita de forma setorial, considerando fatores como custo de capital, eficiência governamental e empresarial, endividamento corporativo, produtividade do trabalhador, qualidade do ensino básico e fluência em idiomas, o cenário é ainda mais preocupante: o Brasil ocupa a 70ª posição, a última colocação do ranking.
Em meio a esse resultado negativo, merece registro o desempenho relevante em áreas como empreendedorismo inicial, energia renovável e atração de investimentos. Apesar da queda geral, o Brasil aparece em posições destacadas em alguns indicadores, ocupando o 5º lugar em energia renovável, geração de empregos e subsídios governamentais voltados ao crescimento de longo prazo, além do 7º e do 8º lugares em atração de investimentos estrangeiros e atividade empreendedora em estágio inicial, respectivamente.
Retomando aquele texto que escrevi anteriormente, acredito que o governo, já em sua reta final, perdeu o timing para enfrentar os problemas econômicos estruturais do Brasil. Preso a uma política populista, arcaica e ideologicamente enviesada, Lula deverá entregar a seu sucessor — ou até mesmo a si próprio, caso seja reeleito — um país ainda não quebrado, mas economicamente estagnado.
O Brasil permanece preso, há décadas, na chamada “armadilha do baixo crescimento”, incapaz de avançar de forma consistente porque gasta muito, arrecada muito, endivida-se excessivamente e, por consequência, dispõe de poucos recursos para investimentos produtivos.
Com um crescimento médio de apenas 1,4% ao ano na última década, o país ainda não compreendeu — ou finge não compreender — que, para escapar dessa armadilha, precisa sanear suas contas públicas, elevar sua competitividade, aumentar a produtividade e ampliar os investimentos. Sem isso, não há saída: o Brasil continuará patinando.
