Dívidas rurais: fechando as porteiras – Por Alexandre Costa
Considerado um dos principais responsáveis pela segurança alimentar global o agronegócio brasileiro atravessa uma de suas fases mais críticas da sua história acumulando dividas na ordem de R$ 180 bilhões que desencadeou uma onda de quebradeiras no setor. Segundo a agencia Reuters, somente no passado, 2398 propriedades rurais dadas como garantia de empréstimos inadimplentes foram tomadas por credores impacientes fato que vem disparando o número de leiloes de terras agrícolas. Em 2025 este tipo de leilão passou para 14.219 fazendas, registrando um aumento na ordem de 30% em relação a 2024. Já os leiloes e tomadas destes imóveis em procedimentos extrajudiciais, processualmente os mais rápidos, chegaram a 2.398 em 2025 quase o dobro de 2024.
A constatação final que o setor beira a bancarrota, se algo não for feito, veio quando o Banco Central anunciou que a dívida do credito rural brasileiro [que envolve inadimplentes, renegociadas e reestruturadas] abriu este ano com R$ 171,2 bilhões quase quadruplicando nos últimos 02 anos. Na outra ponta explicitando a situação periclitante a agencia de credito Serasa Experian anunciou que os pedidos de recuperação judicial tiveram um aumento de 56% no ano de 2025 após mais que dobrarem em 2024.
Pode parecer um paradoxo, mas afinal o que levou o agronegócio brasileiro depois de apontado como o celeiro do mundo e uma das maiores potencias agrícolas do planeta a se meter nesta enrascada? Hoje, o Brasil é líder mundial nas exportações de soja, café, açúcar, suco de laranja, proteína, carne bovina e carne de frango. O setor responde por cerca de um quarto do PIB nacional, gera aproximadamente 28,5 milhões de empregos e garante a maior parcela do superávit da balança comercial do país.
E o que é mais curioso, o agronegócio brasileiro já deu e dá demonstração de que o Brasil pode competir de igual para igual com qualquer economia do mundo. Enquanto diversos players mundiais dependem de grandes subsídios estatais, o campo brasileiro conquistou mercados internacionais pela eficiência, produtividade, inovação e capacidade de produzir alimentos em larga escala. mesmo com um credito rural subsidiado infinitamente menor comparado aos nossos principais concorrentes internacionais
Na verdade, o grande problema do agro brasileiro não está da porteira para dentro e sim da porteira para fora. É lá que reside o chamado “custo brasil” que interfere em toda cadeia produtiva do setor.
Ambiente de negócios hostil aliado a insegurança jurídica, burocracia excessiva, estradas esburacadas, portos sobrecarregados, ferrovias insuficientes, burocracia excessiva, insegurança jurídica, elevada carga tributária e credito caro que retiraram a competitividade do setor.
É chegada a hora do Estado brasileiro deixar ser um obstáculo e tornar-se um parceiro do setor concentrando investimentos em ferrovias, hidrovias, portos, armazenagem, inovação ofertando credito com taxas de juros decentes que possam devolver a capacidade competitiva do setor. Sem uma proposta consistente do Estado para a repactuação, refinanciando a sua dívida rural o Brasil corre um sério risco de literalmente fechar de suas porteiras.
