Eleições 2026: Cajazeiras cobra compromissos – Por Alexandre Costa
Órfã, há décadas, de uma genuína representação política na Câmara Federal, Cajazeiras ressente-se da ausência de um legítimo representante em Brasília, capaz de articular, defender e carrear para o município as obras estruturantes que há tanto tempo aguardamos.
Esse quadro se agravou nos últimos sete anos, marcado pelo distanciamento político entre o município e o governo do Estado. Fomos tratados a pão e água, não apenas pela escassez de investimentos em obras de infraestrutura, indispensáveis ao atendimento das próprias demandas vegetativas da cidade, mas também pela exclusão de importantes programas estaduais, como o Travessias Urbanas, que asfaltou a maioria dos municípios paraibanos, independentemente do seu porte, além de outros investimentos previstos no plano de governo estadual para 2025-2026.
O caso mais emblemático foi a não implantação, em Cajazeiras, do Museu de Arqueologia da Paraíba (MAP). O equipamento constitui um dos quatro eixos estratégicos de investimentos do revolucionário projeto denominado Complexo Científico do Sertão, ao lado do Rádio Telescópio Bingo, em Aguiar, e da Cidade da Astronomia, em Carrapateira, cujas obras já se encontram em estágio avançado. E Cajazeiras, nada? É uma ausência que, até hoje, permanece sem explicação convincente e, muito menos, justificativa plausível.
É evidente que questionamentos dessa natureza são dirigidos também a alguns dos nossos representantes políticos, eleitos com expressiva votação na cidade, mas que, na maioria das vezes, nos viram as costas, revelando falta de compromisso ou, pior, uma cruel indiferença diante das demandas de uma população que já cansou de esperar.
É nesse vácuo de representação que ressurge uma Cajazeiras forte e altaneira, fruto da reaglutinação de movimentos sociais em torno de uma causa maior. E ela nos presenteia com aquilo que temos de melhor: a força da Sociedade Civil Organizada, calejada pela experiência, detentora de uma expertise reconhecida em todo o Estado, construída ao longo de décadas de enfrentamento de dificuldades, rompimento de barreiras e superação de desafios.
Conquistas exitosas, como o curso de Medicina, o aeroporto, as linhas aéreas e o IML/NUMOL, são provas inequívocas desse legado de cobrança, persistência e luta que nos foi deixado. É esse mesmo legado que volta a despertar, na sociedade civil organizada e nas lideranças políticas e empresariais, um dos sentimentos mais nobres de um povo, o nativismo.
Reunindo legítimos representantes dos mais diversos estratos sociais, entidades de classe, segmentos produtivos e clubes de serviços, o movimento assumiu a missão de cobrar obras estratégicas, imprescindíveis ao desenvolvimento socioeconômico de Cajazeiras. Essas manifestações evoluíram do embrionário Movimento dos Amigos de Cajazeiras (MAC) para o já estruturado Conselho da Sociedade Civil Organizada de Cajazeiras (ConSoCivil). Um avanço significativo.
Nas eleições de 2026, o ConSoCivil, logo após o debate da TV Diário do Sertão com os três candidatos a governador, cobrou e arrancou compromissos sobre aquilo que Cajazeiras entende lhe ser devido. Por questões estratégicas, foram apresentados apenas dois pleitos: a execução do projeto de urbanização do entorno do Açude Grande, a maior intervenção no ecossistema urbanístico da história de Cajazeiras, e a implantação de uma linha aérea regular entre João Pessoa e Cajazeiras.
Mas não ficará por aí. Outros pedidos virão no momento oportuno, entre eles a construção do Centro de Convenções do Sertão, as alças de acesso que contornam a cidade e a implantação de um campus da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB).
É Cajazeiras deixando para trás o silêncio, rompendo a letargia e recuperando a voz. É a sociedade civil organizada ocupando o espaço que lhe pertence, cobrando compromissos, exigindo respeito e, sobretudo, despertando aquilo que talvez seja a nossa maior força: o profundo sentimento de pertencimento.
