X Mostra BNB de Cinema Paraibano: Um olhar para o cinema como memória, educação e território

A X Mostra BNB de Cinema Paraibano, realizada entre os dias 15 e 25 de setembro de 2026, percorre vários municípios do estado, incluindo Nazarezinho, Maturéia, Cajazeiras e Sousa, com o objetivo de celebrar, difundir e fortalecer a produção audiovisual local. A programação, homenageando a pioneira diretora negra Antônia Ágape, reúne diversas atividades que vão desde palestras e debates com pesquisadores e realizadores consagrados até oficinas práticas voltadas para a formação de novas gerações de apreciadores da sétima arte.

A mostra aborda temas fundamentais como o cinema como ferramenta de reconhecimento e identidade, o uso do documentário para a compreensão histórica e a preservação da memória, e a importância da representatividade feminina e negra no audiovisual. Oficinas, realizadas em escolas públicas, como “Inventando Filmes”, colocam crianças e jovens no centro do processo criativo, ensinando técnicas de criação, enquanto outras, como a de cinema 3D, despertam o interesse pela tecnologia por trás das telas.

As exibições de filmes como “Acauã: Canto, Luta e Resistência”, “A Arte dos Beradeiros”, “Cósmica”, “As Cegas”, “Doce Luta” e “O Ponto do Mel” são acompanhadas de debates com seus diretores e equipes, enriquecendo a experiência do público e revelando as histórias de luta, resistência e beleza do cenário paraibano. Palestras com especialistas, como a do professor Dr. Rafael Zanatto sobre o cinema como fonte de pesquisa, aprofundam o conhecimento sobre a importância cultural e histórica do nosso cinema.

Ao integrar arte, educação, memória e formação cultural, a Mostra mantém sua tradição de ser este espaço transformador, que não apenas exibe os lançamentos do cinema paraibano, mas também faz um passeio histórico sobre nossas raízes, inspirando e capacitando a comunidade a contar suas próprias histórias.

Antônia Ágape – a homenageada

A paraibana e pioneira negra do audiovisual no estado tem sua trajetória  marcada pela realização de As Cegas, curta-metragem produzido em 1982 que permaneceu por mais de quatro décadas sem exibição pública juntamente com mais dois curtas realizado durante o curso de Cinema Direto.

O curta As Cegas, realizado em Super-8, retrata três irmãs cegas que cantavam e sobreviviam por meio de apresentações nas ruas de Campina Grande.

Seu reencontro com o público transformou sua trajetória em um importante capítulo da história do cinema paraibano e da preservação da memória negra no audiovisual brasileiro.

Nascida em 1959, na Paraíba, é cineasta, pesquisadora e artista multidisciplinar. Sua formação passa pelo Cinema Direto, pela dança, pelo teatro e pela antropologia. Ela estudou Cinema Direto pela Associação Varan, de Paris, em parceria com a UFPB, além de ter formação em Teatro e Dança e especialização em Dança pela Universidade Federal da Paraíba.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *